AMULETOS E TALISMÃS
[de Pietra DiChiaro Luna]

Amuletos, talismãs, charms são ferramentas que os seres humanos sempre usaram para representar algo sutil e subjetivo como proteção ou sorte.

Também podem ser ícone simbolizando uma determinada deidade. Na Itália, tanto antiga como atual esse tipo de objeto não é estranho.

Sabemos que desde o mais simples crucifixo usando por um católico 'as belas representações de deuses e deusas, vemos um vasto desfile de crenças em pequenos e grandes talismãs. Além disso, vale colocar que as casas dos católicos italianos ou descendentes geralmente são ornamentadas com diversas imagens ou belos altares. Senão existem as famosas medalhas - que os brasileiros adoram a de Santo Expedito ou de Nossa Senhora
Aparecida. Todas essas representações têm uma grande importância dentro das crenças mágicko-religiosas das pessoas.

Vale colocar a diferença entre amuletos e talismãs. Os amuletos são feitos segundo as crenças do praticante, sendo que ele imbui ao amuleto o seu poder e seu propósito. Já o talismã carrega consigo uma egrégora;
uma força cultural que já o imputa poder e propósito.

Talvez os talismãs mais utilizados pelas streghe sejam o pentagrama (pelas pagãs mais modernas, principalmente), o crucifixo (pela representação cristã que ele tem, afinal muitos dos magistas italianos eram ou são católicos!) ou o corno, ou chifre que traz boa sorte e fertilidade.

Este último é bem comum aqui no Brasil, inclusive. Acredita-se que como o chifre seja um símbolo fálico, ele afasta o mal. É uma crença comum na Itália que símbolos de fertilidade como a figa (oh, sim! Não só de
Umbanda vive a figa!!!!! Na Itália, ela se chama "fico") ou o corno são a antítese direta do mal-olhado e da inveja. Outro símbolo eficaz para o mesmo fim é uma fita vermelha, pois traz a cor do sangue.

Quanto aos amuletos, muitos são feitos de elementos da Natureza como ervas ou dentes, ossos, penas, etc e muitas vezes são uma combinação de diferentes elementos. Eles carregam em si um cunho mais xamânico. Os amuletos são feitos para os mais diferentes propósitos e sua confecção difere de praticante para praticante. No entanto, existem algumas "regras" no que tange o significado e utilidade de algumas ervas ou elementos.

Por exemplo, na Itália, principalmente no norte, a erva-doce tem a fama pelo seu poder, pela força que traz no combate ao mal. A arruda é conhecida como aliada contra o mal-olhado e a inveja - se eles não forem a mesma coisa...

O importante de um amuleto é a sua exclusividade. O praticante o fez e o tem para si, correndo o risco dele não ter sentido ou significado nenhum para outros praticantes - mesmo que da mesma linhagem. Vale a intenção que é dada 'aquele objeto.

Por fim, acredito que o principal ingrediente dos amuletos seja a fé de quem o carrega. Magia tem a ver com o poder da mente de utilizar e entender as energias que nos cercam. E assim, funcionam os amuletos.

Talvez de nada vale um super amuleto feito pela grande bruxa do 300o. grau se o usuário não se liga a ele. Seu poder vai por terra. É interessante ter a oportunidade de ver medalhas de santos ou figas que estão dentro de uma família a tanto tempo que carrega uma energia clânica fantástica, que diz respeito somente àquele grupo de pessoas. Somente aquilo que damos credibilidade surte algum efeito sobre as nossas vidas, o que pode até desequilibrar um talismã.

Mais um ponto fica sobre a energia do inconsciente coletivo que fica sobre determinado grupo, ou seja, se a tempos se acredita que uma figa protegerá contra mal-olhado, ela irá, até sem muito esforço de quem usa, este é um talismã. Faz parte de uma cultura. Bom, isso significa duas coisas: a primeira é que qualquer coisa pode se tornar um amuleto, mas nem todas são consideradas talismãs; a segunda é para pensar bem sobre aquilo que se acredita e que se reflete.

Como dizem os budistas, "você é aquilo que você pensa".