Feitiços de Amor, um mal-entendido mágicko

[de Pietra DiChiaro Luna]

Citando um texto me passado por um colega falando dessa "modalidade" da magia:

"Tem "amarrações" com sacrifícios de animais... onde depois o coração de dois bichinhos são retirados e costurados juntos... "lambanças" de
secreções, enterro de peças íntimas com secreções e sêmem. Enfim... e elas contam isso com tanta veemência e naturalidade como se estivessem
repassando o segredo de uma receita de bolo da bisavô (...) Conheci mtas mulheres q. faziam esse feitiçozinho. Água do banho, gotas de
menstruação pra prender seus homens ou deixá-los "impotentes" p. outras mulheres. Sempre achei apelação, hoje vejo q. mais q. apelação é usar o sagrado p. coisas nada sagradas. Prender alguém? Pra que? Uma mulher disse uma vez q. misturava a secreção vaginal ao perfume do namorado, qdo ele passava o perfume estaria "levando" a secreção dela junto, assim não
teria atração por outra mulher, porque seu cheiro estaria no seu inconsciente e ela voltaria para ela... Fico pensando tanto sobre esse tipo de
armadilhas...".

Falar sobre magias de amor é uma coisa muito comum, tanto entre as bruxas quanto entre as não-bruxas. E isso é tão antigo quanto o tempo, ou pelo menos, quanto Roma, por exemplo. No entanto eu tenho algumas opiniões, conceitos e ressalvas em relação a essa coisa toda.

A primeira que isso, na minha opinião de bruxa, trata-se do exemplo mais claro de Feitiçaria. Mas existe alguma diferença? SIM! Feitiçaria é
uma magia feita, não necessariamente com um vínculo religioso, para a satisfação de um desejo pessoal e, geralmente, de cunho urbano.

Um feiticinho de amor pode ser tudo isso? Sem a menor dúvida. Esse tipo de magia nasceu com as cidades, com as urbes e suas necessidades...
Uma delas, a de bom casamento, de agarrar um bom partido ou fazer um bom negócio. As feiticeiras lançavam mão de seu conhecimento da Natureza e da natureza humana para fazer com que os desejos se realizassem. E não
apenas dos de amor: de justiça, de morte, de vingança, de boas negociações.

E é isso que me faz pensar como essas coisas são preocupantes e perigosas: centram-se no capricho de uma única pessoa. É muito difícil fazer o
desejo de um sobrepujar a vontade de muitos ou de outro. Na verdade, eu penso que aqui mora a diferença entre desejo, como um capricho e a
Vontade, o querer divino, aquilo que sabemos que queremos e precisamos.

Quem somos para brincar com a vida alheia com magias como essa, que afinal, podem funcionar pela força da intenção colocada... ao mesmo tempo
que, pessoas que não se abrem para isso, nelas não caem. Só pega feitiço de amor ou de vingança ou de qualquer outra coisa em quem é "pegável".

Quanto ao uso de secreções, roupas ou fotos, bem, é uma forma de usar e de fazer. Tudo nesse plano físico pode ser feito e usado para bem ou
para mal. O problema é que bem e mal são conceitos extremamente subjetivos. Pode ser bom para uma pessoa ter o marido de volta, ao mesmo tempo em que, ele pode se tornar um traste em questão de meses. Mais que isso ainda, uma coisa é pensar no seu benefício e na sua autopiedade e
outra é pensar em uma vantagem coletiva, como é o uso de fotos em magias de cura, por exemplo. Infelizmente, o nosso plano tem dessas coisas...
Dessas coisas mesquinhas.

Se por algum motivo pensamos que nosso amor está enfeitiçado, a primeira coisa a se fazer é uma análise sincera para ver se na verdade o
problema é muito mais profunda do que "um trabalho feito". As relações são construídas com tempo, dedicação, carinho, respeito e compromisso, querendo dizer que se um relacionamento efetivamente preenche esses
quesitos, dificilmente será arrebatado por magia alheia.

Por fim, quero dizer que magia é uma força e uma forma de transformação. Faz magia aquele que é capaz de transmutar estados, criando novas
realidades e perspectivas. Magia pouco tem há ver com materializações loucas seja de amor, dinheiro ou vingança... tem há ver com intencionalmente criar uma realidade de crescimento e transformação PESSOAL.

Fazer magia de amor é trazer para a sua realidade amor. Não o amor do fulano ou da cicrana. O amor próprio e a vontade de compartilhar. É muito sábio o dito de que como podemos amar outro se não nos amamos? Vale mais a pena gastarmos nossa energia em um verdadeiro trabalho de autoconhecimento, para um posterior crescimento e enriquecimento do seu ser, da sua
auto-estima, do seu amor... Só quando nos conhecemos e nos reconhecemos como pessoas completas é que estamos prontos para o outro.

Precisamos de luz, sombras, amor e crescimento... Tudo isso com uma pitada de canela e rosas... A vida fica muito mais gostosa, além de educadora!