Coisas que pegam e coisas que não pegam É dado que os ítalos sempre tiveram uma grande preocupação com as questões de encantamento, inveja, mal-olhado. Para tanto existe inclusive a palavra malocchio. Deles vem um grande compêndio de como cuidar dessa questão que pode afligir as pessoas de forma física ou espiritual. Amuletos, talismãs, rezas, feitiços e benzimentos são muito conhecidos entre as famílias que têm essas práticas para lidar com o olho alheio. O pesquisador inglês Frederick Thomas Elworthy fez uma coleção do que ele chama de “superstições” sobre o assunto, comparando crenças e práticas de diferentes culturas acerca do Olho do Mal, em inglês Evil Eye, em espanhol, nós temos el ojo, Ele é o encantamento, que pode enfeitiçar ou prejudicar. Mas é curioso como as voltas que esse autor dá sempre caem de volta na Itália e como os pagãos e cristãos dali lidam ou lidavam com essa coisa toda. Elworthy fala dos “encantados”, ou seja, aqueles que propagam o mal-olhado e que podem fazê-lo de propósito ou não, deixando pessoas doentes, objetos danificados e plantas morrendo. Ele também nos coloca que o encanto pode ser passado não só pelos olhos, como também pelo toque do encantado. Tanto que algumas pessoas que se acredita serem “os encantados”, quando perto de alguém eram recebidas com “Graças a Deus” ou um gesto de proteção. Assim, nas pesquisas de Elworthy ele nos fala de como os romanos e gregos erigiam templos para Nêmesis, a deusa da justiça divina, aquela que olhava pela ética. Dessa, eu mesma já fiz bom proveito pelo bem-estar meu e dos meus – tanto pessoas como planos ou posses. Ofereci a Nêmesis uma maçã e rezei a ela para que meus planos fossem preservados da má vontade de pessoas. É interessante, pois Nêmesis olha para o que pedimos para saber se quem pede está sendo injusto ou está tomando alguma vantagem. Algumas outras formas de lidar com o mal-olhado, de acordo com as pesquisas de Elworthy, são: contar com as rezas de pessoas que não “olham” com inveja para os outros; carregar raízes ou plantas ou elementos da natureza como arruda, pele de hiena ou uma cebola. Conversando com o pessoal daqui de casa sobre esse assunto, falamos um pouco do que é a inveja, ou seja, o trabalho o olho-gordo e de como ela é uma desarmonização das energias pessoais. Isso quer dizer que, uma vez que uma pessoa sente inveja de alguma situação, pessoa ou objeto, ela se desarmoniza energeticamente buscando o equilíbrio de volta. Esse equilíbrio vem de tirar ou manipular a energia do foco da inveja. De forma que isso acaba por recair sobre os seres que tem vida, que “doam” energia vital: animais, pessoas, plantas – e quando pensamos em pessoas, leia-se também crianças. Esse último como os clássicos casos de quebranto que muitas benzedeiras resolvem. De forma que fica a pergunta: tudo pega? Ou seja, será que estamos sempre à mercê dos olhos alheios? O amigo Hermínio Portella nos disse há alguns dias que tudo se pega em quem é pegável, ou seja, em quem se deixa entregar a essas influências. Meu pai diz que só se pega quando a sua energia está baixa ou desarmonizada ou quando estamos com pouca energia vital. No caso da idéia do Hermínio, penso que isso entra muito em casos de vitimização. Ou seja, de quem baixa a sua guarda, mesmo sem saber ou querer e repete muitas vezes como as pessoas são más ou não as compreendem e coisas assim. Talvez a má vontade das próprias vítimas as levem a uma bola de neve energética que atrai exatamente aquilo que elas são. Sabe aquela coisa de dizer, “ai, eu não tenho sorte mesmo”... O Universo ouve, entende e deixa que outras energias no mesmo padrão se aproximem, fazendo da “falta de sorte” uma constante na vida da pessoa. Nesses casos, não adianta maçã, cebola ou arruda... Adianta a cura da forma de sentir. Assim tratamentos suplementares a terapia são muito bem vindos. No caso da idéia do meu pai, eu acredito que precisamos de um constante trabalho de harmonização de nossas energias e de nossos ambientes. Ele comentou que mesmo que estejamos com nossas energias em ordem, beber demais ou estar em ambientes de baixa energia vital como um hospital ou um local extremamente poluído pode baixar nossas defesas energéticas. Para manter isso 100% do tempo funcionando, teríamos que deixar uma vela violeta queimando para nós 100% do tempo. Não temos certeza em nossa casa se isso é o ideal, uma vez que simplesmente deixar a coisa “nas costas” de uma vela, pode fazer com as pessoas não se cuidem. Por fim, penso sim que as coisas só pegam em quem se deixa pegar. Provavelmente em quem se larga espiritual e energeticamente. Não acho que deixar uma vela acesa ou deixar uma maçã para Nêmesis nos isenta de cuidarmos de nós mesmos. Talvez se o mal-olhado for entendido como um vírus astral, ele seria o que pega quem está com baixa resistência. Então, reze, bendiga e mantenha suas energias sempre em alta, pois para que o mal-olhado o pegue ele precisa estar ainda mais alto – e se somos um gigante, pouco nos atinge. Não deixe de lado a arruda, mas nunca, nunca mesmo, se deixe de lado. Luz do sol, prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não faz mal a ninguém!! Bênçãos de Nêmesis Pietra Bibliografia consultada ELWORTHY, Frederick Thomas. Evil Eye. The classic account of an ancient superstition. Dover Publications, 2004. (Publicação original Murray J, Londres, 1895)
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