Falando sobre Bruxas
[de Pietra DiChiaro Luna]


Há algumas semanas conversei com uma pessoa que não tem nada há ver com o nosso mundinho neopagão, tive uma noção de como as coisa são vistas de fora, mas que precisava de informações sobre a coisa toda para escrever sobre o assunto. Na verdade, o resultado final foi um artigo sobre Bruxaria para a revista Marie Claire de outubro de 2007. Ou seja, conversei com uma jornalista que, por sua vez, já havia conversado com várias outras bruxas – não streghe, mas (neo)pagãs – afinal, não é todo mundo que carrega essa denominação.

É estranho pensar que uma coisa com a qual estamos tão acostumados, como dizer “bruxa”, “bruxaria”, “magia”, “(neo)paganismo” e afins ainda caia estranho em ouvidos alheios... Quando eu coversei com ela passei bem uns 20 minutos, indo bem devagar, no que é Bruxaria e pq ela tem essa característica de chocar assim, logo de cara e coisas assim. Afinal, convenhamos, o marketing medieval foi muito poderoso. E é claro que meus alunos têm questões com bruxas, mas eu não acho que eu vou ter que dizer para crianças de 6 anos que a bruxa da Branca de Neve faz parte de um movimento que cultua Deuses antigos e por aí vai. E se eles forem de famílias protestantes? Vou falar o quê? Não... Ela era ciumenta mesmo. Fez maldade mesmo. E mexia com magia mesmo... Além de ser a mais bonita mesmo!! Só que as crianças querem me matar quando eu digo que torço pra bruxa: a roupa dela é mais legal, ela faz magia... É melhor do que ficar feito uma desvairada na floresta.

Também discurssei um pouco sobre como magia não é artigo de consumo e que muitas vezes é melhor vc chamar uma pessoa pra realidade do que ficar dando para ela velas, incensos e fitas. Tem horas que ser bruxa não é contar com feitiços, mas com bom-senso e terapia =)

Mas também é interessante como essa coisa toda tem o poder de fascinar as pessoas e fazer com que elas queiram saber mais.

Expliquei mts coisas sobre ancestralidade, cultura antiga e antropologia que permitiram que as bruxas saiam do armário. Claro que algumas vezes, somos queridas porque lemos cartas para quem precisa, mas sinto que existe uma certa empatia - principalmente se estamos harmônicos e não saímos por ai dizendo que a Deusa é dona de tudo e vc que não a segue está negando sua porção feminina. Ou seja, sendo "bruxo-chato" - não tem eco-chato????

Eu sinto que foi uma experiência muito legal poder falar com a reporter que já vinha conversando com outras - mas sem nenhuma pretensão de se tornar bruxa. Ela me dizia "vcs são da mesma religiosidade e tem discursos tão diferentes..."

E eu disse: "Sabe, a Bruxaria é como se fosse uma árvore imensa e frondosa. Cada uma de nós, bruxas e bruxos, pode estar sentado em galhos diferentes - um galho mais hereditário, outro mais hermético, outro mais feminista. A questão é que todas temos a dimensão da sacralidade da Terra e de como os Deuses representam a Criação e representam o somos, o que buscamos e que podemos falar diretamente com Eles...".

Podem falar o que quiserem... tem preconceito, porque tem gente afim de ver maldade em tudo, mas mesmo os cristãos se vêem com olhos esquisitos de vez em quando - vide católicos x protestantes...

Mas uma coisa é muito certa: ser bruxa é o maior barato!!

E do barato de conversar, saiu a reportagem! Época de Halloween, algumas dicas mágickas...

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